quinta-feira, 23 de maio de 2024   | : :
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Bem-humorada, Maria Neves, 92 anos, conta um pouco de sua história de vida

Personalidade da Semana



Bem-humorada, Maria Neves, 92 anos, conta um pouco de sua história de vida

Maria da Silva Neves, nasceu em 24 de julho de 1924, em Turiúba e lá morou da infância até os 30 anos de idade. “Morava na casa do meu tio, que tinha uma fazenda muito grande. Lá aprendi a costurar, bordar, cozinhar e tudo o que sei até hoje”, lembra.

Ela conta que trabalhava em casa costurando e que se precisasse ajudava na cozinha. “Eu vivi com minha prima, que era paralítica e me ensinou tudo, Inaiá Maria Cardoso, foi quem me deu uma mão na vida, se hoje sei tudo que eu sei, é graças a ela”.

Mesmo tendo apenas o quarto ano de estudo, dava aula para os grupos escolares da época.

Mudou-se para Nhandeara quando nasceu Maria Laura, filha de seu primo, Dr. Octaviano Cardoso Filho, prefeito do município por duas vezes. “O Octaviano foi me buscar para cuidar dela, porque sua esposa Hygia ia voltar a trabalhar, vim para ficar um mês com a Maria Laura, até arrumar outra pessoa para tomar conta, mas o dia que era para eu ir embora, decidi ficar”, conta.

“Ajudei a cuidar da Maria Laura, depois veio o Neto e cinco anos mais tarde a Elaine. A vida inteira cuidei de umas 40 crianças da família, mesmo morando aqui, sempre que nascia um, lá vai Maria. Foi assim a vida inteira, ficava 40 dias”.

Mora no município desde 1954, morou por 28 anos na casa onde hoje é a Floricultura da Marta e atualmente reside em outra casa de sua prima Hygia, há 34 anos.

“Fui fazer a escola normal em Monte Aprazível, fiz por dois anos, mas depois deu problema na visão e não fiz mais. Fui costurar, o Octaviano criou uma escola de corte e costura aqui em Nhandeara e me nomeou como instrutora e fiquei até aposentar”.

Maria fez de tudo um pouco. Cuidou da igreja, dava aula nas escolas, aulas na catequese, trabalhava em dia de vivência, cuidava de doentes, presidiu a paróquia por 10 anos e foi tesoureira também por 10 anos. “Lembro quando cheguei a igreja era um salão tinha uns bancos velhos e um altar. Lembro do primeiro retoque da pintura. Uma das pessoas que cuidei foi o Padre Zenon. Também vi muito sobre a evolução do município”.

Faz colcha, tapete, passadeira e crochê. Até hoje tem muita disposição e capricho para desenvolver trabalhos manuais. “Não tenho preguiça e até choro quando não tenho coisa para fazer. E tudo que faço, gosto de fazer com perfeição”.

Ela foi fundadora do roupeiro de Santa Rita, da visita domiciliária de Nossa Senhora. Trabalhou durante 10 anos como roupeira e até hoje trabalha. “Faço sapatinhos, todos os anos fazemos uma feirinha na Terceira Idade, só eu fiz 101 pares no ano passado e esse ano fiz 70 pares”, diz ela que até hoje trabalha no Fundo Social, desenvolvendo trabalhos com sua prima, Dra. Maria Laura, primeira dama e presidente do Fundo Social de Nhandeara.

Após muito tempo vivendo no município, Nhandeara está em seu coração. “Não sou capaz de sair daqui para morar em lugar nenhum. Gosto de Nhandeara, do povo que é muito bom. Tive uma vida muito boa aqui, graças a Deus, gosto de todos, não tenho inimigo. Quando chego na feira, sento numa mesa para comer, quando vejo já tem oito ou dez pessoas falando comigo”.

Bem-humorada e com coração enorme, Maria vive ao redor da família e amigos muito queridos. “Quem cuida de mim hoje são a Maria Laura e o Odilon, e a Elaine e o Paulo Caxixa. Há uns 20 anos tive uma espécie de tontura, mas o Dr. Odilon cuidou de mim, agradeço a ele, que é meu primo, mas o considero como genro. Aqui também quando cheguei conheci o Laci, que era muito novinho, morava na frente da casa dele, me dava muito bem com ele e sua mãe. São todos amigos, parentes, que se tornaram da família”.

Maria manda um recado para a população do município. “Povo aqui de Nhandeara é cego, me desculpa falar, mais do que esse homem (prefeito Dr. Odilon) fez, quantas obras; fez aquela escola lá em cima, duas academias, aquele prédio do Fundo Social ficou abandonado muitos anos e ele recuperou, é uma pessoa que vale ouro, ninguém sabe o valor dele; arrumou a rodoviária, velório novo, bonito e apresentável, temos as 210 casinhas e tem gente que ainda fala mal dele, ele não merece isso; muito educado, quantos anos está na minha família, nunca falou nada que me desagradou, pessoa maravilhosa”, se emociona. Ela continua. “Ele, o Laci e o Paulo Caxixa, três pessoas muito importantes na minha vida, graças a Deus o que eu tenho são bons amigos e de coração, isso eu não abro mão”.

Ela finaliza com um agradecimento. “Agradeço ao jornal por ter vindo me entrevistar, ao Laci por me indicar e dizer que é muito bom a gente lembrar das coisas que vivemos”.

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