quinta-feira, 23 de maio de 2024   | : :
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Alcênio dos Santos compartilha fatos curiosos de sua juventude em Floreal

Personalidade da Semana



Alcênio dos Santos compartilha fatos curiosos de sua juventude em Floreal

Alcênio Pereira dos Santos, nasceu em 19 de maio de 1941, na área rural de Floreal. Nascido e criado na roça, estudou até o quarto ano na escola onde hoje funciona a Prefeitura Municipal.

Com boa memória, Alcênio lembra-se como era o município na época. “A igreja de Floreal era uma capelinha, o jardim era gramão, só tinha galinha, cabrito e porco soltos na vila. Não tinha energia, os finados Doilio Rossi e Luiz Sbroggio eram quem forneciam a luz nos botecos e bares, até colocar energia elétrica, era só lampião e vela naquele tempo. Um breu total. Quando era menino não existia condução, era só charrete, carrinho e animal para o povo vir na vila. O que tinha um pé de bode (carro preto) de aluguel ainda era o Bertão Campanuci”.

Quando era menino, diz ter visto várias mortes dentro de Floreal, “nego matando mesmo, nós se formamos rapazes, e eu e meu irmão, Alcimar Pereira dos Santos, fazíamos papel de delegado de polícia, apartamos muitas brigas, muitas mortes aqui em Floreal, não deixávamos brigar, nem matar”.

Ele conta um caso que se lembra bem. “Quando tinha 9 anos, o finado Gabriel Ribeiro, apelido Biel Magro, foi ferroado com ferrão de boi pelas capturas, que passavam de 30 em 30 dias (autoridades da época) apaisana, muito malvados, batiam e até matavam. O Gabriel ficou de cama com as nádegas para cima fazendo tratamento com o finado Dr. Cortes, ele foi judiado pelas capturas porque estava judiando dos bois no carro de boi. Ele vinha trazendo tora para levar para a serraria, do finado Luiz Sbroggio. Muitas coisas eu já presenciei desde menino aqui dentro de Floreal”.

Alcênio já foi toureiro. Rodou a região toda toureando boi, vaca, novilha e tudo o que aparecia pela frente durante quatro anos. “O patrão era o Faixa Preta, a equipe era o Peléu, o Garrafa, eu e o dono da tourada. Entre as apresentações, eu fazia “pega” com olhos vendados com pano preto, “pega” de costas sentado na cadeira, “pega” de frente com olho vendado, briga de cabeça com as criações, salto mortal, montaria em pelo e montar no “sorfete”, que era o que colocava no lombo do animal. Passar na criação (na reis), no vão da perna dela por baixo dela e tirar leite da teta da vaca dentro da arena. Comecei na tourada com 18 e parei com 22 anos. Daqui que sai com eles para Magda, General Salgado, Auriflama, Pereira Barreto, Ilha Solteira, Araçatuba, Birigui, Bilac, Osvaldo Cruz, Turiúba, Monções, Paraná, Monte Aprazível, Poloni e Macaubal. Até que enjoei, era muito perigoso, não sei como não morri”.

Lembra-se também de outro fato da época em que foi herói. “Estava eu e o finado meu irmão Alcimar, no bar do finado Chiquinho Coleti, formou um temporal e nós saímos correndo, eu e o irmão para ir para casa, no virar do quarteirão surgiu um estralo de relâmpago, um amigo meu, Alfayete Junqueira, saiu da casa da namorada, ele caiu com o estralo, eu e meu irmão acudimos ele, aí veio a namorada dele gritando e chorando desesperada falando que tinha morrido. Nós enfiamos a mão na língua dele e puxamos para fora, salvamos a vida dele, a família sabe. Estava com 23 anos por aí”.

Casou-se aos 24 anos com Alvelina Inácia da Silva (in memoriam há 9 anos), tiveram cinco filhos Rosecleide, Alcêninho, Roseneide, Andrei (in memoriam há 8 anos) e Rosemara. Quatro netas e quatro bisnetas. “Convivi com ela 41 anos. Sou casado, não sou divorciado e está na justiça até hoje para eu receber o ordenado dela que está acumulando na prefeitura, ela era funcionária da prefeitura aposentada, e a justiça não me libera a aposentadoria dela”.

Trabalhou também como tocador de roça durante 30 anos para si mesmo, “o plantio que mais gostava e mais plantei era arroz, ganhei em primeiro lugar no plantio de arroz aqui em Floreal. Depois abandonei e fui trabalhar só por dia, pois naquele tempo não tinha preço”. Há 10 anos se aposentou como trabalhador rural.

Foi candidato a vereador no município em uma eleição, mas não se elegeu. Mesmo assim não guarda mágoas. “Dentro de floreal com 75 anos não tenho inimizades com ninguém, desde as crianças, até os idosos, graças ao bom Deus. Gosto de morar aqui, nunca saí. Lugar sossegado”.

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